Platão, Aristóteles e Design

Trabalho da disciplina de Estética Aplicada ao Design lecionada pelo professor Neandro Nascimento o mesmo consistia em desenvolver um artigo de no mínimo duas páginas sobre: O Antagonismo entre as filosofias estéticas de Platão e Aristóteles e além do artigo um cartaz que representa-se tal antagonismo entre os dois filósofos, ressaltando que a arte não poderia conter textos.

Cartaz e Artigo desenvolvidos por: Daniel Brito

Bom. Apesar do professor ter solicitado a ausência de textos no cartaz, não deu pra resistir e tive que inserir, por que mesmo entregando o trabalho conforme solicitado, sempre vi estas palavras no cartaz, como nos exemplos logo abaixo.

Caro internauta, se não estiver apressado, leia o artigo ficou muito interessante.

O Antagonismo entre as filosofias estéticas de Platão e Aristóteles

Platão x Aristóteles

Para Platão, o conhecimento para ser autêntico deveria penetrar na esfera racional do Mundo das Idéias, ultrapassando, portanto, as impressões sensoriais e o plano da opinião.
Para se conquistar o conhecimento autêntico e verdadeiro, Platão propunha a dialética, que na realidade consiste da contraposição de uma opinião. Uma tese qualquer seria seguida da negação da própria tese, com o objetivo de purificá-la de possíveis equívocos e erros.
Platão acreditava que somente era possível estar no Mundo das Idéias através do conhecimento racional, filosófico e científico, pois acima da realidade “sensível” deveria existir uma realidade “inteligível”.

Partindo desse ponto que diz: acima da realidade “sensível” deveria existir uma realidade “inteligível”. Vamos, então entrar no tão estudado, sonhado e falado Mundo das Idéias de Platão, podemos comparar estes pensamentos platônicos com a seguinte situação, fisicamente ao abrirmos uma garrafa cheia de água e à inclinarmos para o chão o mais provável que pode acontecer e que o material líquido e transparente que estar contido nos limites da mesma, caia em direção ao solo até o recipiente ficar completamente vazio, de acordo com o nosso entendimento físico isso é perfeitamente real e normal e esse é um conhecimento que faz parte do Mundo Sensível, sendo mais do que necessário ter noções do mesmo para compreender o antagonismo existente entre ele e outros possíveis mundos.

Se no Mundo Sensível a água que estar contida na garrafa cairia em direção ao chão, no Mundo das Idéias quem sabe a água, em vez de cair no chão, fosse em outra direção contrariando a nossa tão conhecida e estudada física e no decorrer desta nova direção suas propriedades materias se modificassem, se tornando algo logicamente inatingível.

Através do Mundo das Idéias Platão tentou explicar o desenvolvimento do conhecimento humano. Para ele o processo do conhecimento se desenvolvia por meio da passagem progressiva do mundo das sombras e aparências para o mundo das idéias e essências.
É através das sensações e impressões dos sentidos que ocorria a primeira etapa do processo do conhecimento, ou seja, a opinião que se tem da realidade. Esse conhecimento chamado sensível, embora seja verdadeiro, sabe porque as coisas estão assim, sem saber porque o estão.

Ao contrário de Platão, Aristóteles defendia que a origem das idéias é através da observação de objetos para após a formulação da idéia dos mesmos. Para Aristóteles o único mundo é o sensível e que também é o inteligível.

Aristóteles diz que existem seis formas ou grau de conhecimento: sensação, percepção, imaginação, memória, raciocínio e intuição. Para ele o conhecimento é formado e enriquecido por informações trazidas de todos os graus citados e não há diferença entre o conhecimento sensível e intelectual, um é continuação do outro, a única separação existente é entre as cinco primeiras formas e a última forma pois a intuição é puramente intelectual, mas isso não quer dizer que as outras formas não sejam verdadeiras mas sim formas de conhecimento diferentes que utilizam coisas concretas.

Partindo do exemplo que foi citado inicialmente, enquanto para Platão o mais belo e verdadeiro sentido, talvez fosse o de a água que estava contida na garrafa seguir em outra direção qualquer, menos cair no chão, já para Aristóteles, talvez ele derramasse a água em um recipiente qualquer e à tomasse, pois como já foi dito anteriormente para Aristóteles o único mundo existente seria o Sensível.

Beleza leva sempre à verdade e ao bem

A teoria platônica da Beleza e da Arte depende, assim, de sua visão geral do mundo. Para usar palavras de Ortega y Gasset, Platão via o universo como dividido em dois mundos, o mundo em ruína e o mundo em forma. O nosso mundo, este mundo sen­sível que temos diante dos nossos olhos, é o campo da ruína, da morte, da feiúra, da decadência. O mundo autêntico, o mundo em forma do qual o nosso recebe existência e significação, é aquele mundo das essências, das Idéias Puras, às quais acabamos de nos referir. É o mundo eterno e imutável que existe acima do nosso e que chama o daqui para seu seio. Nesse mundo, a Verda­de, a Beleza e o Bem são essências superiores, ligadas diretamente ao Ser. Cada ser do nosso mundo em ruína, tem, no outro, um modelo: os padrões ou arquétipos, situam-se entre os seres sen­síveis e as essências superiores da Verdade, do Bem e da Beleza.

Ora se Platão acreditava que Verdade, Beleza e Bem andam juntas, então com certeza ele realmente cria no Mundo das Idéias, pois pode até ser que o fato da água ir em outra direção, que não seja a comum conhecidas por todos, partindo novamente do exemplo que foi citado inicialmente, seja algo belo esteticamente, embora não verdadeira no Mundo Sensível, mas no Mundo das Idéias, sim.

A beleza consiste na proporção das partes

Em sua teoria sobre a Beleza, Aristóteles defende que a beleza consiste em três elementos: proporção, grandeza e harmonia mas em escalas comparativas. Ou seja, para um objeto ser belo deve haver entre suas partes e em relação ao todo, uma certa harmonia, ou ordenação e deve também transmitir imponência. Seus pensamentos sobre beleza resultavam da influência dos padrões estéticos da época, em que as formas regulares, o equilíbrio, ordem, grandeza monumental, harmonia e proporção faziam parte da arte e da arquitetura.

Se aplicarmos o mesmo exemplo da água que é derramada da garrafa ir em uma direção fisicamente impossível no pensamento Aristotélico, pode até ser algo Harmonioso, porém o exemplo não se encaixaria no sentido de proporção e ordem, pois iria contra a ideologia do Mundo Sensível o qual era o único aceitável por Aristóteles.

Conclusão

Apesar de Aristóteles ter sido um discípulo direto de Platão o mesmo não aderiu ao Mundo das Idéias dele, tinha o conhecimento desta teoria, mas optou por defender somente o Mundo Sensível (real).

Fazendo um simples comparativo entre Platão e Aristóteles, podemos associar alguns conceitos estéticos, (Mundo das Idéias, Abstrato, Beleza, Verdade, Bem, Círculo Cromático, Formas inexistentes e etc.) pertenceriam à Platão, enquanto (Mundo Sensível, Concreto, Beleza na proporção das partes, Monocromático, Formas comuns e etc.) serviria de modelo para o pensamento Aristotélico.

 Referências

1. ELIZABETH, Ana
O Mundo das Ideias de Platão

2. Tadeu S. Paulo
Platão X Aristóteles

3. Bosco, Carolina
CRÍTICA ESTÉTICA BASEADA NA TEORIA ARISTOTÉLICA DA BELEZA

4. Ewald, Simara
Teoria Aristotélica da Beleza

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